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Guára - O Perigo Louro do Atlético Mineiro


Guaracy Januzzi nasceu em Conceição do Turvo (atual Senador Firmino), distrito de Piranga, a 03 de dezembro de 1914. Filho do italiano Miguel Jannuzzi e da espanhola Rosa Gracia Ottero Jannuzzi. Casado com Amélia Januzzi, com quem teve cinco filhos: Vera Januzzi, Luiz Carlos Januzzi, Rosina Januzzi, Déa Januzzi e Kátia Januzzi.
Guará começou sua carreira como jogador no Aimorés, de Ubá. Em 23 de setembro de 1933 se transfere para o Clube Atlético Mineiro. Seu apelido era Guara, sem acento, mas assim quem chegou a Belo Horizonte a imprensa mineira acentuou sem querer o nome daquele que seria um dos quatro maiores artilheiros de todos os tempos: Guará. O apelido Perigo Louro surgiu daquele jovem franzino, cujos passes e dribles mágicos iam invariavelmente parar nas redes. Ele fez 168 gols pelo Clube Atlético Mineiro, marca até hoje só ultrapassada por Reinaldo, Dadá Maravilha e Mário de Castro. Aos 24 anos, Guará já era o jogador mais bem pago do futebol mineiro: 18 contos de luvas e 800 mil réis por mês.
Mas a “fama teve inveja de Guará”, escreve Ary Barroso no prefácio do livro “Cabeçada Fatal”. No dia 04 de julho de 1939, o Atlético Mineiro e o Palestra Itália (atual Cruzeiro) se enfrentavam pela segunda rodada do Campeonato da Cidade. Aos dez minutos de partida o centroavante Guará e o zagueiro Caieira, do Palestra, correram em direção à bola. Os dois saltaram juntos, mas não acertaram a bola. Chocaram cabeça com cabeça. O jogo parou para atendimento médico dos dois jogadores, que caíram atordoados no gramado. Caieira mesmo tonto pelo choque, conseguiu se levantar, mas Guará foi retirado do campo inconsciente. Todos pensavam que Guará tinha sofrido uma ligeira contusão sem maiores conseqüências. Mas não. Ele permaneceu mais de uma hora desmaiado no ambulatório do estádio de onde foi levado para o Pronto Socorro. Seu pai Miguel Januzzi, chorava, mas Guará continuava desmaiado. Seguindo conselho médico foi transferido, no dia seguinte, para o Hospital São José, onde os fãs faziam fila, rezavam. Mais de 700 pessoas faziam plantão na porta do hospital, à espera de um milagre. Queriam o ídolo de volta.
Vítima de traumatismo craniano, Guará nunca mais pôde jogar, apesar das muitas tentativas Ele não era mais o mesmo. Tinha medo de pisar no gramado. Chegou a ser contratado pelo Flamengo em 1941, mas acabou disputando apenas um jogo. Era o fim de uma carreira brilhante, pois a estrela do centroavante Guará se apagou - e ele teve que se afastar, definitivamente, dos campos de futebol.
Tentou de tudo depois daquele trágico acidente. Vendeu tabletes de doce de leite Virgínia, bilhetes de loteria, fez “Livro de Ouro”, lançou “Vida de Glórias e Sacrifícios”, em parceria com o jornalista Antônio Tibúrcio Henriques. Relançou o mesmo livro, na década de 60, com o nome “Cabeçada Fatal”. Foi por muitos anos funcionário da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



Em 1962, a Rádio Itatiaia criou o Troféu Guará, para premiar os melhores do futebol mineiro, e também como uma forma de homenagear o grande craque do futebol de Minas.
Guará faleceu em Belo Horizonte a 16 de novembro 1978, deixando para os filhos e a torcida atleticana uma história digna dos contos de fada. Uma herança de respeito pelos adversários, da magia do futebol-arte, de profissionalismo. Esta é uma história de um “astro que parou de brilhar no velho engaste azul do firmamento, mas onde vive e viverá a saudade”, como sentenciou Ary Barroso.

Curiosidade: o pai do jogador Guará, Miguel Januzzi, era sapateiro e proprietário de um salão de bilhar em Conceição do Turvo. A loja exibia um título pomposo: “Salão Batuta, de Miguel Januzzi”.


Rodrigo Celi Veiga Dias

4 comentários:

Rafa disse...

Nunca tiha ouvido falar putzz, legal o trab de pesquisa!

http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/2010/06/por-tras-do-horror-do-halloween-origem_28.html

Dinho disse...

Trabalho bem

Tascio disse...

Também nunca tinha ouvido falar...parabéns pela pesquisa e por trazer isso para nós!

amanda mendes. disse...

nunca tinha ouvido falar tb ;]
mas parabéns pelo texto, muito bom o trabalho x))