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LENDAS FIRMINENSES: JUBILEU DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO


Na época do Jubileu a cidade se transformava, as casas eram alugadas para as pessoas da roça que vinham de “mudança” para cidade. Nas barraquinhas aconteciam umas coisas engraçadas, como a do santeiro que vinha das bandas de Barbacena, todos os anos. Trazia uma imensidade de quadro de santos e espalhava-os pela barraca. Não vendia, dizia ele todo piedoso, pois vender um santo era desrespeitoso. Dizia que os trocava... mas por dinheiro. Entretanto, por mais que trouxesse santos, não trazia todo elenco da Igreja. E aqui as coisas se tornavam gozadíssimas. O sujeito chegava pedindo uma imagem de Santo Afonso, como não tinha o pilantra santeiro pegava um desconhecido e falava que era Santo Afonso. No ano seguinte é que vinha a briga: quando o devoto que comprou (ou melhor, trocou) levava a mesma para o Padre Henrique Silvino Alves benzer, ele dizia que aquele não era o Santo Afonso, pois ele tinha barba e esse não tem. O freguês voltava pra reclamar com o santeiro e esse dizia é o Santo Afonso sim, é que ele usou barba até certa idade depois ele tirou a barba, e terminava dizendo que o que vale é a fé. E tudo se acomodava. Os padres que vinham pregar, normalmente, eram estrangeiros e falavam muito mal o português. Lembro-me de um holandês. Naquele tempo, o chique era a gente ir atrás da banda na procissão, não precisava acompanhar a fila e poder-se-ia abandonar o cortejo quando bem entendesse. Mas isso não agradava o missionário, que, certa vez, no início da procissão, foi logo avisando no alto-falante, num português carregado de erres: “Quero avisarrr ao pova parra non ir atrrás a bunda”. Coitado, trocou isso pela banda. Nos últimos dias do Jubileu a Dona Norfina trazia as meretrizes de Ubá para divertirem os homens da cidade. Quando chegava alguém mais novo na casa dela, as pessoas mais velhas se escondiam para não serem reconhecidas.

Rodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Senador Firmino

6 comentários:

Sandro Batista disse...

To maravilhado com esse texto.. Isso é cultura pura! E contada de uma forma atraente, engraçada, enfim, sensacional. Parabéns!

http://estacaoprimeiradosamba.blogspot.com/

Lucas disse...

Segundo texto que conheço deste blog e estou ficando maravilhado!

Parabéns ao autor!

Nic disse...

Parabéns pelo blog!
A cultura regional é muito importante. Coisas assim devem ser preservadas.
Passa lá:
http://critico-estado.blogspot.com

Macaco Pipi disse...

e sempre vivem felizes
para a eternidade

Ítalo Richard disse...

Sensacional! Criativo, muito bem escrito e de um humor impecável.

Parabéns!
abraço,
www.todososouvidos.blogspot.com

Luiz Carneiro disse...

Valeu pela recordação... faltou a referência ao cachorro quente com toucinho, carne moída e água do poço do jardim. Ficavam horas exalando o cheiro que carrego até hoje em minha memória da infância vivida neste pedaço delicioso das Minas Gerais