
Em 1923, um grupo de rapazes e senhoras organizaram o primeiro carnaval propriamente dito de Conceião do Turvo, em substituição ao antigo “Entrudo”, brincadeira um tanto violenta e grosseira, pois, de par com as delicadas laranjas-de-cheiro que os foliões se atiravam mutuamente, havia o péssimo costume de atirarem latas e baldes de água nos foliões que passavam, das janelas de algumas residências. Para organizar e confeccionar o préstito da terça-feira gorda (antigamente o encerramento do carnaval era feito com um préstimo de carros alegóricos) trouxeram de Ubá um tal de Sr. Leopoldino, que se dizia cenógrafo. Seu Leopoldino entendia tanto de cenografia que o resultado foi que o único carro alegórico que se conseguiu fazer, foi confeccionado pelo Chiquinho Lacerda, ajudado pelo seu sobrinho Weber Lacerda. No arraial não existia veículo automotor, sendo a alegoria montada em um carro-de-boi. Bem no centro do carro alegórico foi erguido um trono, num plano superior, destinado a ser ocupado por uma bela senhorita ricamente fantasiada. Para surpresa geral quem veio no trono foi o seu Leopoldino, vestido de sobre-casaca e cartola, igualzinho a essas figuras do Tio San desenhada pelos cartunistas. O préstito parou em frente à casa do Chiquinho Lacerda, que estava na janela (onde hoje é a casa da Dona Josefina Benedito), ocasião em que seu Leopoldino começou uma falação alusiva aos festejos de momo, terminando o discurso assim: “Peço uma ‘sarva’ de palmas pra seu Chiquinho Lacerda, que mora naquela casa”. Em seguida, o préstito recolheu-se ao barracão, que era uma coberta nos fundos da Loja Fernandes & Irmão.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Lendas Firminenses - Préstito da Terça-feira Gorda
Marcadores: CARNAVAL, conceição do turvo, lendas, MEUS TEXTOS, minas gerais, senador firmino, weber lacerda 13 comentáriosPostado por Rodrigo Celi às 12:02
Nosso Patrimônio – Bens Inventariados: Carnaval
Marcadores: blocos, CARNAVAL, conceição do turvo, desfile, entrudo, MEUS TEXTOS, minas gerais, nosso patrimônio cultural, senador firmino 6 comentários
Categoria: Bens Imateriais
O Inventário do Carnaval de Senador Firmino foi elaborado em 2009, pelo historiador Rodrigo Celi Veiga Dias e o jornalista Matheus Fernandes Teixeira.
Vejamos a seguir um breve histórico desse bem imaterial de nosso município:
Até o início da década de 1920 o Carnaval em Conceição do Turvo tinha o nome de ENTRUDO, brincadeira um tanto violenta, pois, de par com as delicadas laranjas de cheiro que os foliões se atiravam mutuamente, havia o péssimo costume de atirarem latas e baldes de água nos foliões que passavam, das janelas de algumas residências.
Em 1924, um grupo de rapazes e senhoras resolveram organizar o Carnaval propriamente dito. Foi confeccionado um carro alegórico, montado em um carro-de-boi, que desfilou por algumas ruas da cidade indo até a residência do seu Chiquinho Lacerda, na Rua São Miguel.
Na década de 1940, o Sr. Juvenal Dias Ferreira realizava no salão de seu Bar, embaixo de sua residência (onde funcionava o Hotel Senador), um baile de carnaval com marchinhas, que era patrocinado pelo Prefeito Professor Cícero Torres Galindo.
Na década de 1960, o Sr. Ângelo Casarin, juntamente com um animado grupo de firminenses fundou o Ródanes Social Clube, que passou a realizar o bailes no antigo prédio do Cine Glória. O Ródanes por longos anos contagiou toda a nossa região com um grandioso carnaval.
Ainda na década de 60, surgiu a Bandinha da Saudade, formada por ilustres personalidades firminenses que desfilavam pelas ruas da cidade tocando as tradicionais marchinhas de carnaval. A bandinha esteve presente na folia de Senador Firmino até os anos iniciais da década de 1970.
Em 1974, um grupo de rapazes formou o Bloco Ciganeiros. No ano seguinte Dona Leonor Benedito começou a organizar o bloco, que por sugestão do Dr. Mário Firmo passou a se chamar Escola de Samba Saca-Rolha, que fazia um grandioso desfile de carros alegóricos e alas fantasiadas pelas ruas da cidade, cada ano com um tema diferente. Em 1978, para concorrer com o Saca-Rolha, um grupo de rapazes fundou o Grêmio Recreativo Bambas do Samba, que também desfilava com carros alegóricos e alas. Durante as década de 70 e 80 os dois blocos fizeram desfiles belíssimos, que atraia a atenção de toda a região, mas por problemas financeiros acabaram parando de desfilar.
Em fins da década de 1970, como forma de criar um espaço alternativo para os bailes de Carnaval, os senhores Francisco Miguel Nogueira (Chico Bode), Antônio Gomes Nogueira (Pite) e Hélio Teixeira Ribeiro (Tito Teixeira), resolveram comemorar o carnaval em uma garagem à Rua Santa Terezinha, toda cercada de bambu e com um toca-discos daqueles bem velhos. Por causa da grande participação, no ano seguinte os organizadores resolveram comprar um lote à Rua Antônio Braz, onde iriam construir o Senador Tênis Clube. Porém obra num foi terminada, tem sido parada a construção quando duas paredes e a cobertura já tinham sido feitas. Mesmo, assim, seu piso foi colocado e ali o povo gosava as alegrias do carnaval. Naquela época no Ródanes Social Clube a folia tinha uma pausa para que os foliões pudessem se sentar e descansar; como no Senador Tênis Clube não tinha lugar para se colocarem cadeiras, as pessoas tinham de descansar em pé, por isso passaram a chamar aquele lugar de Clube do Canela Roxa.
Na década de 1980, depois da desunião dos sócios, o Prefeito Sr. Rafael de Barros Fiorillo compra o prédio e transforma num Galpão da Prefeitura, sem, contudo deixar de atender aos festejos de momo. Nos dias de carnaval, as máquinas eram retiradas e a infra-estrutura era montada para receber os foliões. Porém, ninguém reclamava e o Canela Roxa estava sempre cheio.
Em 1999, o Prefeito Dr. Carlos Antônio Lourenço resolve transferir o carnaval para a Praça Raimundo Carneiro. E em 2007, com o Prefeito Sr. William Fernandes Mussi, volta-se a realizar matinês no Canela Roxa, com a Banda União tocando marchinhas de carnaval. Essa Banda União é composta por alguns músicos da Corporação Musical Nossa Senhora da Conceição e convidados.
Em 1991, temos surgimento do Bloco do Zé Neném, que sempre trazia em suas camisas sátiras as frases que o Zé Neném colocava em seu bar e a algum acontecimento da atualidade.
Em 1997, o pároco da cidade, Padre Luiz Faustino dos Santos, no intuito de divulgar o Tema da Campanha da Fraternidade da CNBB durante o carnaval, resolve criar um bloco, com a participação dos Agentes de Pastoral da Paróquia. Esse bloco ficou conhecido pelo povo como Bloco da Igreja, mas na realidade em 1998 recebeu de seus componentes o nome de Bloco Alegria do Turvo. Em 2001, sem o apoio do novo pároco, Padre Oscar de Oliveira Germano, o bloco deixa de sair pelas ruas da cidade.
O carnaval hoje acontece praticamente na Praça Raimundo Carneiro. Todas as noites a Banda União toca no palco as marchinhas e logo em seguida acontece shows musicais. Vários blocos fazem camisas com frases e desfilam pelas ruas da cidade e pela Praça, podemos citar: Bloco do Zé Neném, Bloco da Taioba, Bloco da Negona, Bloco Katapulta, Bloco Chapadin, Bloco As Minina, Bloco Os Pererecas, Bloco SenaFolia e Bloco Power Guido.
O Programa de Aplicação do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (FUMPAC), para o ano de 2011, previu a utilização de parte do recurso do fundo para a contratação de bandas para executarem as músicas tradicionais do Carnaval.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 07:40
ORIGEM DA FESTA MAIS POPULAR DO BRASIL - O CARNAVAL
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Origem do Carnaval:
Todo mundo pensa que o Carnaval é uma festa típica do Brasil. Mas toda essa farra existe desde a Antiguidade e vem de muito longe.
O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo. O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adota a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizava no Egito. A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais. Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape. É nessa época que sexo e bebidas se fazem presentes na festa. Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características atuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles...
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu caráter “pecaminoso”. No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira, etc.
É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica, que não pode ter data fixa para não coincidir com a Páscoa dos judeus.
O cálculo é um pouco complexo. Determina-se o equinócio da primavera, que ocorre entre os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.
Carnaval no Brasil:
Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia. A comemoração carnavalesca data do início da colonização, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.
Foi, portanto, graças a Portugal que o entrudo desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, em 1641. O termo, derivado do latim introitus significava "entrada", "começo", nome com o qual a Igreja denominava o começo das solenidades da Quaresma. No entanto, as festividades do entrudo já existiam bem antes do Cristianismo, eram comemoradas na mesma época do ano e serviam para celebrar o início da primavera. Com o advento da Era Cristã e a supremacia da Igreja Católica, passou a fazer parte do calendário religioso, indo do Sábado Gordo à Quarta-feira de Cinzas.
Tanto em Portugal, como no Brasil, o Carnaval não se assemelhava de forma alguma aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta, onde se cometia todo tipo de abusos e atrocidades. Era comum os escravos molharem-se uns aos outros, usando ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas divertiam-se em suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados, "num clima de quebra consentida de extrema rigidez da família patriarcal".
Foi esse Carnaval mais ou menos selvagem que desembarcou no Brasil com as primeiras caravelas portuguesas e os primeiros foliões. Com o passar do tempo e devido a insistentes protestos, o entrudo civilizou-se, adquiriu maior graça e leveza; substituindo as substâncias nitidamente grosseiras por outras menos comprometedoras, como as laranjas de cheiro (pequenas esferas de cera cheias de água perfumada) ou como os frascos de borracha ou bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Estas últimas foram as precursoras dos lança-perfumes introduzidos em 1885.
Em 1855 surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, precursores das atuais escolas de samba. No início século XX, no Rio de Janeiro, já havia diversos cordões e blocos, que desfilavam pela cidade durante o Carnaval. A primeira escola de samba foi fundada em 1928 no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro e se chamava Deixa Falar.
No tocante à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século XIX, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pôde notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.
RODRIGO CELI VEIGA DIAS
HISTORIADOR
Postado por Rodrigo Celi às 17:35