Categoria: Bens Móveis e Integrados
O Inventário do Mural de Azulejos foi elaborado em 2006, pela historiadora Marilda Aparecida Ionta, a arquiteta Rosimery Vidigal de Barros Carvalho e a engenheira ambiental Andrea de Fátima Moreira. Em 2010 o Inventário foi atualizado pelo historiador Rodrigo Celi Veiga Dias, a arquiteta Rosimery Vidigal de Barros Carvalho, o vereador Anderson Carlos de Oliveira e o jornalista Matheus Fernandes Teixeira
Vejamos a seguir um breve histórico desse bem cultural de nosso município:
Em 1966 o Padre Henrique Silvino Alves encomendou, por intermédio de um amigo, azulejos portugueses para fazer um mural na fachada frontal do Hospital São João de Deus, que estava em construção. Assim, o fuzileiro naval Pedro Paulo Goular, firminense, residente no Rio de Janeiro, foi incumbido de trazer a encomenda de Lisboa para o Brasil.
Os azulejos foram confeccionados pela fábrica portuguesa Sant’Anna e o desenho que ilustra o mural foi feito por Amaral. A Fábrica Sant’Anna teve um importante papel na reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755. Foi fundada em 1741 e ainda se mantém ativa produzindo azulejo e faianças através de processos inteiramente manuais.
Vale ressaltar, que na primeira metade do século XX, renasce no Brasil o interesse pela azulejaria portuguesa.
Em 1967, o mural representando São João de Deus curando enfermos foi instalado.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Nosso Patrimônio – Bens Inventariados - Mural de Azulejos: São João de Deus
Marcadores: bens culturais, conceição do turvo, hospital, MEUS TEXTOS, minas gerais, nosso patrimônio cultural, padre henrique silvino alves, senador firmino 6 comentáriosPostado por Rodrigo Celi às 08:09
Nosso Patrimônio – Bens Inventariados: Praça do Rosário
Marcadores: conceição do turvo, história, MEUS TEXTOS, minas gerais, nosso patrimônio cultural, senador firmino 5 comentários
Categoria: Estrutura Arquitetônica e Urbanística
O Inventário da Praça do Rosário foi elaborado em 2009, pelo historiador Rodrigo Celi Veiga Dias, o jornalista Matheus Fernandes Teixeira e a arquiteta Rosimery Vidigal de Barros Carvalho.
Vejamos a seguir um breve histórico desse bem cultural de nosso município:
Recebeu essa denominação em 1936, com a inauguração da Igreja do Rosário pelo Monsenhor Antônio Maurício de Medeiros Gouveia, pároco da cidade na época.
Até 1967, essa praça era apenas um espaço aberto e gramado, pois nessa data o Prefeito Sr. Nilton Ferreira Pinto construiu o meio-fio ao redor da mesma. E em 1987, na gestão do Prefeito Sr. Rafael de Barros Fiorillo foi construída uma Balaustrada ao redor da praça.
Durante vários anos essa praça serviu como local de eventos, como as encenações da Paixão de Cristo pelo Grupo Gotas, Saltos de Pára-quedas no Torneio Leiteiro e Procissão de Corpus Christi.
Em 1999, no mandato do Prefeito Dr. Carlos Antônio Lourenço a praça foi totalmente revitalizada, ficando com o aspecto atual. Em 29 de maio do mesmo ano a nova praça é inaugurada, juntamente com o Busto do Padre Henrique Silvino Alves, que foi construído na mesma, durante a reforma.
Desde então, na época de Corpus Christi, moradores da comunidade do Rosário enfeitam a passarela central com os tradicionais tapetes da procissão.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 09:07
Lendas Firminenses - Préstito da Terça-feira Gorda
Marcadores: CARNAVAL, conceição do turvo, lendas, MEUS TEXTOS, minas gerais, senador firmino, weber lacerda 13 comentários
Em 1923, um grupo de rapazes e senhoras organizaram o primeiro carnaval propriamente dito de Conceião do Turvo, em substituição ao antigo “Entrudo”, brincadeira um tanto violenta e grosseira, pois, de par com as delicadas laranjas-de-cheiro que os foliões se atiravam mutuamente, havia o péssimo costume de atirarem latas e baldes de água nos foliões que passavam, das janelas de algumas residências. Para organizar e confeccionar o préstito da terça-feira gorda (antigamente o encerramento do carnaval era feito com um préstimo de carros alegóricos) trouxeram de Ubá um tal de Sr. Leopoldino, que se dizia cenógrafo. Seu Leopoldino entendia tanto de cenografia que o resultado foi que o único carro alegórico que se conseguiu fazer, foi confeccionado pelo Chiquinho Lacerda, ajudado pelo seu sobrinho Weber Lacerda. No arraial não existia veículo automotor, sendo a alegoria montada em um carro-de-boi. Bem no centro do carro alegórico foi erguido um trono, num plano superior, destinado a ser ocupado por uma bela senhorita ricamente fantasiada. Para surpresa geral quem veio no trono foi o seu Leopoldino, vestido de sobre-casaca e cartola, igualzinho a essas figuras do Tio San desenhada pelos cartunistas. O préstito parou em frente à casa do Chiquinho Lacerda, que estava na janela (onde hoje é a casa da Dona Josefina Benedito), ocasião em que seu Leopoldino começou uma falação alusiva aos festejos de momo, terminando o discurso assim: “Peço uma ‘sarva’ de palmas pra seu Chiquinho Lacerda, que mora naquela casa”. Em seguida, o préstito recolheu-se ao barracão, que era uma coberta nos fundos da Loja Fernandes & Irmão.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 12:02
Zé Ramalho no 30º Torneio Leiteiro de Senador Firmino
Marcadores: festa, MEUS TEXTOS, minas gerais, senador firmino, torneio leiteiro, zé ramalho 8 comentários
Esse ano o 30º Torneio Leiteiro de Senador Firmino - MG vai trazer o show do grande cantor brasileiro Zé Ramalho. O show irá acontecer na noite do dia 23 de julho de 2011, sábado.
Vamos conhecer um pouco da tragetória desse cantor:
Nascido em 3 de outubro de 1949, José Ramalho Neto é natural de Brejo da Cruz (PB). Quando tinha 2 anos, ficou órfão de pai, o seresteiro Antônio de Pádua Pordeus Ramalho, que morreu afogado num açude do sertão. Com isso, sua mãe, a professora primária Estelita Torres Ramalho, entregou-o para ser criado pelos avós, José e Soledade Alves Ramalho, que tinham melhor condição financeira. Por isso Zé pôde estudar nos melhores colégios da cidade e até estudar medicina.
Sua vida artística começou como Zé Ramalho da Paraíba, cantando em conjuntos de baile inspirados na jovem guarda e no rock inglês. O interesse pelos violeiros e pala literatura de cordel só surgiria depois, ao participar da trilha sonora do filme Nordeste: cordel, repente e canção, de Tânia Quaresma, em 1974. Por conta desse trabalho, Zé se mudou para o Rio de Janeiro (RJ), acompanhado por outros cantores nordestinos. Naquele mesmo ano, lançou seu primeiro disco, uma parceria com Lula Côrtes.
Logo Zé estava tocando viola na banda de Alceu Valença, em cujo show ele tinha chance de interpretar uma composição sua. Mas a oportunidade foi por água abaixo quando Zé resolveu modificar o roteiro de uma das apresentações da turnê. O público gostou, mas Alceu detestou e rompeu com o colega. A amizade só seria recuperada um ano depois, quando Alceu incluiu, de surpresa, uma música de Zé em seu novo espetáculo.
Sobreviver no Rio não era fácil. Zé precisou dormir em bancos de praças e trabalhar em gráfica para poder continuar apostando em seu próprio talento. Em 1977, foi convidado pelo produtor Augusto César Vanucci a ir a São Paulo (SP) participar da gravação da música "Avôhai", composição sua que seria incluída no novo disco da cantora Vanusa. E assim ele ia ganhando nome e conseguindo dinheiro. No mesmo período, Zé lançou o folheto de cordel "Apocalipse agalopado".
No ano seguinte, ele gravou seu primeiro disco solo, que não só incluía "Avôhai" como também "Vila do Sossego", "Chão de Giz" e "Bicho De Sete Cabeças". A crítica elogiou seu trabalho e o público o comprou, maravilhados com as letras cheias de imagens míticas e o tom profético das interpretações. Resultado: Zé ganhou prêmio de melhor cantor revelação da Associação Brasileira de Produtores de Disco e da Rádio Globo.
A carreira do paraibano se consolidou em 1979, quando ele lançou seu maior clássico, "Admirável Gado Novo", e o grande sucesso "Frevo Mulher".
Em 1980, Zé participou do Festival de Música Popular da TV Globo, ficando entre os 20 primeiros colocados. Mudou-se para Fortaleza (CE) e ganhou seu primeiro disco de ouro. Com popularidade crescente, no ano seguinte se destacou com as faixas "A Terceira Lâmina (cifrada)" e "Canção Agalopada", ganhando outro disco de ouro. Também lançou o livro de poesias Carne de pescoço e os livretos Apocalipse e A peleja de Zé do Caixão com o cantor Zé Ramalho.
O artista viu seu nome envolvido numa grande polêmica em 1982. Tudo porque as letras de seu disco daquele ano se assemelhavam a alguns versos do poeta irlandês William Yeats, o que lhe rendeu um processo por plágio. Ficou tudo resolvido quando a Marvel, editora que publicava O incrível Hulk, admitiu ter dado crédito ao escritor na edição da revista em quadrinhos que inspirou as composições de Zé naquele LP. E ele ganha outro disco de ouro.
Seus discos já contavam com participações especiais de muita gente famosa em 1983, quando ele voltou a morar no Rio. No entanto, sua popularidade andava em baixa, o que o levou a dar uma reviravolta em sua carreira, deixando a influência do rock dos anos 60 falar mais alto que sua raiz nordestina. Só em 1986 ele retomaria o misticismo que havia se tornado a marca registrada de sua música. Em 1990, depois de um período de ostracismo, Zé gravou um disco só de forró e fez uma série de shows nos EUA.
Em 1996, a sorte de Zé Ramalho começou a mudar. "Admirável Gado Novo", um de seus primeiros sucessos, voltou a tocar sem parar nas rádios, graças à sua inclusão na trilha sonora da novela O Rei do Gado, da TV Globo. E seu nome voltou à mídia ao participar do disco O grande encontro, resultado de um show que fez em parceria com Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo. As críticas foram tão favoráveis e o público se mostrou tão receptivo que o grupo ganhou disco de platina duplo e voltou a se reunir em outros dois CDs, lançados em 1997 e 2000, embora sem Alceu.
Com o álbum Antologia acústica, de 1997, Zé comemorou 20 anos de carreira, fazendo uma releitura de suas canções mais conhecidas, o que lhe rendeu outro disco de platina duplo. No mesmo período, foi lançado o livro Zé Ramalho - um visionário do século XX, de Luciane Alves, e um songbook com 30 letras cifradas do compositor.
Parecia uma preparação para aquele que seria seu mais importante trabalho, o CD duplo Nação nordestina, de 2000, com o qual fez uma espécie de inventário da influência do Nordeste na MPB, contando com a participação de diversos artistas e citando a obra de tantos outros. O disco foi considerado um dos melhores exemplos da fusão da música nordestina com o mundo pop.
E assim Zé Ramalho vem construindo sua obra, inspirada tanto na literatura de cordel e nos ritmos nordestinos quanto no cinema, nas histórias em quadrinhos, nos livros de ficção científica, nos seriados de TV, no rock e na mitologia, alinhavando tudo com seu jeito único de cantar, como se estivesse narrando, e com suas composições que remetem a imagens.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 11:19
Lendas Firminenses - Capitão Antônio Fernandes Guimarães
Marcadores: capitão antônio fernandes guimarães, conceição do turvo, lendas, MEUS TEXTOS, minas gerais, senador firmino 7 comentários
Antônio Fernandes Guimarães era Capitão de Milícia, título comprado na época, que trazia status ao portador e também era grande fazendeiro em Conceição do Turvo. Tratava-se de uma pessoa polêmica, muito severa e arrogante, estilo da maioria dos grandes fazendeiros, famosos Coronéis de sua época.
Segundo contam era muito severo para com os seus escravos, cujas maldades deram origem a várias lendas em torno de sua pessoa. A primeira e mais recorrente lenda conta que por ocasião de sua morte o seu corpo desapareceu possivelmente levado pelos seus escravos para a pratica de Magia Negra, e por este motivo dentro do seu caixão foram colocadas correntes; para fazer peso e substituir o corpo.
Fala-se também, quando de seu velório dois cães negros e de olhos vermelhos surgiram e se dividiram um de cada lado do corpo, por onde ficaram até que as lamparinas se apagassem subitamente. Quando recuperaram a iluminação, o corpo havia desaparecido.
A fama de homem duro do capitão foi tão grande, que há quem diga que o anjo, feito de mármore, existente em cima de seu túmulo, não tem a face voltada para o lado por não querer nem saber quem estava ali enterrado. E que durante a noite o anjo vira o rosto para o outro lado. Também à noite dizem que é possível se escutar o barulho das correntes dentro do túmulo. Mas, na realidade, segundo os entendidos a imagem de anjo ali existente, realmente com a cabeça virada, está é olhando rumo ao Santuário, pedindo bênçãos.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 10:27
Lendas Firminenses - O Lobo Guará
Marcadores: conceição do turvo, guará, lendas, lobo, MEUS TEXTOS, minas gerais, senador firmino 11 comentários
Antes da chegada da luz elétrica à cidade, existia na cachoeira uma usina elétrica de propriedade do Sr. Raimundo Ferreira Valente (Dico Valente). Como a luz era muito fraca foi contratado um senhor chamado José Barbacena, que tinha a incumbência de desligar as máquinas à meia-noite, para que elas descansassem. Pois bem, em uma das noites que estava indo em direção à cachoeira, encontrou-se com um lobo guará perto da ponte do local, e o bicho veio pra cima dele. O Zé Barbacena foi obrigado a sair no tapa com o lobo e acabou matando o bicho. Na época existia um médico que vinha de Barbacena para trabalhar em Senador Firmino, se chamava Dr. Teófilo Pinto, ao passar perto da cachoeira viu o Zé Barbacena todo machucado caído no quanto da estrada com um lobo morto do lado. O médico concordou em levar o machucado para fazer curativos desde que ele deixasse o doutor levar também o lobo, para mostrar para o povo.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 08:40
Nosso Patrimônio – Bens Inventariados: Carnaval
Marcadores: blocos, CARNAVAL, conceição do turvo, desfile, entrudo, MEUS TEXTOS, minas gerais, nosso patrimônio cultural, senador firmino 6 comentários
Categoria: Bens Imateriais
O Inventário do Carnaval de Senador Firmino foi elaborado em 2009, pelo historiador Rodrigo Celi Veiga Dias e o jornalista Matheus Fernandes Teixeira.
Vejamos a seguir um breve histórico desse bem imaterial de nosso município:
Até o início da década de 1920 o Carnaval em Conceição do Turvo tinha o nome de ENTRUDO, brincadeira um tanto violenta, pois, de par com as delicadas laranjas de cheiro que os foliões se atiravam mutuamente, havia o péssimo costume de atirarem latas e baldes de água nos foliões que passavam, das janelas de algumas residências.
Em 1924, um grupo de rapazes e senhoras resolveram organizar o Carnaval propriamente dito. Foi confeccionado um carro alegórico, montado em um carro-de-boi, que desfilou por algumas ruas da cidade indo até a residência do seu Chiquinho Lacerda, na Rua São Miguel.
Na década de 1940, o Sr. Juvenal Dias Ferreira realizava no salão de seu Bar, embaixo de sua residência (onde funcionava o Hotel Senador), um baile de carnaval com marchinhas, que era patrocinado pelo Prefeito Professor Cícero Torres Galindo.
Na década de 1960, o Sr. Ângelo Casarin, juntamente com um animado grupo de firminenses fundou o Ródanes Social Clube, que passou a realizar o bailes no antigo prédio do Cine Glória. O Ródanes por longos anos contagiou toda a nossa região com um grandioso carnaval.
Ainda na década de 60, surgiu a Bandinha da Saudade, formada por ilustres personalidades firminenses que desfilavam pelas ruas da cidade tocando as tradicionais marchinhas de carnaval. A bandinha esteve presente na folia de Senador Firmino até os anos iniciais da década de 1970.
Em 1974, um grupo de rapazes formou o Bloco Ciganeiros. No ano seguinte Dona Leonor Benedito começou a organizar o bloco, que por sugestão do Dr. Mário Firmo passou a se chamar Escola de Samba Saca-Rolha, que fazia um grandioso desfile de carros alegóricos e alas fantasiadas pelas ruas da cidade, cada ano com um tema diferente. Em 1978, para concorrer com o Saca-Rolha, um grupo de rapazes fundou o Grêmio Recreativo Bambas do Samba, que também desfilava com carros alegóricos e alas. Durante as década de 70 e 80 os dois blocos fizeram desfiles belíssimos, que atraia a atenção de toda a região, mas por problemas financeiros acabaram parando de desfilar.
Em fins da década de 1970, como forma de criar um espaço alternativo para os bailes de Carnaval, os senhores Francisco Miguel Nogueira (Chico Bode), Antônio Gomes Nogueira (Pite) e Hélio Teixeira Ribeiro (Tito Teixeira), resolveram comemorar o carnaval em uma garagem à Rua Santa Terezinha, toda cercada de bambu e com um toca-discos daqueles bem velhos. Por causa da grande participação, no ano seguinte os organizadores resolveram comprar um lote à Rua Antônio Braz, onde iriam construir o Senador Tênis Clube. Porém obra num foi terminada, tem sido parada a construção quando duas paredes e a cobertura já tinham sido feitas. Mesmo, assim, seu piso foi colocado e ali o povo gosava as alegrias do carnaval. Naquela época no Ródanes Social Clube a folia tinha uma pausa para que os foliões pudessem se sentar e descansar; como no Senador Tênis Clube não tinha lugar para se colocarem cadeiras, as pessoas tinham de descansar em pé, por isso passaram a chamar aquele lugar de Clube do Canela Roxa.
Na década de 1980, depois da desunião dos sócios, o Prefeito Sr. Rafael de Barros Fiorillo compra o prédio e transforma num Galpão da Prefeitura, sem, contudo deixar de atender aos festejos de momo. Nos dias de carnaval, as máquinas eram retiradas e a infra-estrutura era montada para receber os foliões. Porém, ninguém reclamava e o Canela Roxa estava sempre cheio.
Em 1999, o Prefeito Dr. Carlos Antônio Lourenço resolve transferir o carnaval para a Praça Raimundo Carneiro. E em 2007, com o Prefeito Sr. William Fernandes Mussi, volta-se a realizar matinês no Canela Roxa, com a Banda União tocando marchinhas de carnaval. Essa Banda União é composta por alguns músicos da Corporação Musical Nossa Senhora da Conceição e convidados.
Em 1991, temos surgimento do Bloco do Zé Neném, que sempre trazia em suas camisas sátiras as frases que o Zé Neném colocava em seu bar e a algum acontecimento da atualidade.
Em 1997, o pároco da cidade, Padre Luiz Faustino dos Santos, no intuito de divulgar o Tema da Campanha da Fraternidade da CNBB durante o carnaval, resolve criar um bloco, com a participação dos Agentes de Pastoral da Paróquia. Esse bloco ficou conhecido pelo povo como Bloco da Igreja, mas na realidade em 1998 recebeu de seus componentes o nome de Bloco Alegria do Turvo. Em 2001, sem o apoio do novo pároco, Padre Oscar de Oliveira Germano, o bloco deixa de sair pelas ruas da cidade.
O carnaval hoje acontece praticamente na Praça Raimundo Carneiro. Todas as noites a Banda União toca no palco as marchinhas e logo em seguida acontece shows musicais. Vários blocos fazem camisas com frases e desfilam pelas ruas da cidade e pela Praça, podemos citar: Bloco do Zé Neném, Bloco da Taioba, Bloco da Negona, Bloco Katapulta, Bloco Chapadin, Bloco As Minina, Bloco Os Pererecas, Bloco SenaFolia e Bloco Power Guido.
O Programa de Aplicação do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (FUMPAC), para o ano de 2011, previu a utilização de parte do recurso do fundo para a contratação de bandas para executarem as músicas tradicionais do Carnaval.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 07:40
Nosso Patrimônio – Bens Inventariados: Imagem de Nossa Senhora da Piedade
Marcadores: bens culturais, MEUS TEXTOS, minas gerais, nossa senhora da piedade, nosso patrimônio cultural, senador firmino 5 comentários
Categoria: Bens Móveis e Integrados
O Inventário da Imagem de Nossa Senhora da Piedade foi elaborado em 2009, pelo historiador Rodrigo Celi Veiga Dias, o jornalista Matheus Fernandes Teixeira e a arquiteta Rosimery Vidigal de Barros Carvalho.
Vejamos a seguir um breve histórico desse bem cultural de nosso município:
No fim do século XIX, o vigário Jacyntho Theóphilo Trombert, percebeu que o Cemitério Paroquial de São Miguel já era pequeno para o tamanho do arraial, e resolveu construir um novo cemitério próximo ao local onde ele já havia iniciado a construção da Igreja do Rosário.
Na década de 1960, o Padre Henrique Silvino Alves ampliou esse cemitério, e construiu uma capela dedicada à Nossa Senhora da Piedade. Para tanto encomendou uma imagem do Rio de Janeiro, para ser colocada no altar-mor da dita capela.
Em 17 de setembro de 1961 foi feita a Sagração do altar de Nossa Senhora da Piedade, na Capela do Cemitério Paroquial, estiveram presentes: Cônego Nélson Simões Quinteiro, Padre José Nascimento e mais seis outros sacerdotes.
Na década de 1980, o Cemitério Paroquial passou para a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Senador Firmino, juntamente com a Capela de Nossa Senhora da Piedade.
A imagem em madeira policromada foi esculpida pelo artista carioca Aurélio Moreira da Silva, e representa a Virgem Maria recebendo seu filho morto nos braços.
Na década de 1980, a imagem passou por uma repintura realizada por Sílvia Cabral.
O Programa de Aplicação do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (FUMPAC), para o ano de 2011, prevê a Restauração da dita Imagem, com reposição das perdas do suporte, remoção de repinturas e recuperação da Policromia original.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Chefe do Setor de Patrimônio Histórico e Cultural
Postado por Rodrigo Celi às 09:03
ABASTECIMENTO DE ÁGUA EM SENADOR FIRMINO
Marcadores: abastecimento, água, conceição do turvo, história, MEUS TEXTOS, minas gerais, senador firmino 5 comentários
A água que servia a população do antigo arraial de Conceição do Turvo corria por sulcos feitos no chão, mantidos a descoberto, sem oferecer, portanto, as condições mínimas de higiene.
Do ponto mais alto do Córrego dos Lanas, descia a água em direção ao centro do arraial, onde a mesma era distribuída à população e às residências. As casas que eram mais distantes do centro captavam a água em poços artesanais construídos pelos próprios proprietários, onde por meio de bomba a água era levada até as residências.
Uma bica desembocava no centro do arraial, onde em 1940, o Prefeito Municipal Professor Cícero Torres Galindo construiu uma balaustrada e uma cascata por onde a água descia, e muitas pessoas buscavam ai baldes de água para o consumo residencial.
Na década de 1960, o Prefeito Municipal Noé de Oliveira Fernandes, ao reformar a Praça Raimundo Carneiro, construiu um chafariz que utilizava essa mesma água que descia pela cascata.
Outra mina que abastecia a cidade era a localizada na propriedade do Sr. José Nicolau Calderano (Ziquinha Calderano), a água também era levada por meio de sulcos abertos no chão e abastecia as residências do Largo Santo Antônio.
Essa situação do abastecimento de água na cidade continuou até 1967, quando o Prefeito Municipal Nilton Ferreira Pinto deu início à construção e ampliação do Serviço de Água e Esgoto da sede do município.
Em 1972, na gestão do Prefeito Municipal Silvério Gomes Durso deu-se início ao abastecimento de água potável em Senador Firmino.
Em 1974, o Prefeito Municipal Elias Flores Mussi iniciou os melhoramentos do Serviço de Água da cidade. E em 17 de julho de 1975, foi assinado pelo mesmo prefeito um convênio com a Fundação de Serviços de Saúde Pública (FSESP), para a construção do Serviço de Abastecimento Público de Água em Senador Firmino.
Em 12 de abril de 1978, o Prefeito Municipal Professor Cléber José Pereira deu início ao processo de criação da Autarquia Municipal do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) em Senador Firmino.
Em 02 de maio de 1980, na gestão do Prefeito Municipal Sebastião Firmo (Batié) foi criada a Autarquia Municipal do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) em Senador Firmino. E em 13 de maio do mesmo ano, era inaugurada, pelo dito Prefeito Municipal, a Estação de Tratamento de Água do SAAE no município.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador
Postado por Rodrigo Celi às 11:57
LENDAS E CAUSOS FIRMINENSES: PADRE SIMIM E AS MULHERES
Marcadores: conceição do turvo, lendas, MEUS TEXTOS, minas gerais, mulheres, senador firmino 8 comentários
Na década de 1920 era pároco de Conceição do Turvo o Padre Francisco de Assis Dias Simim, natural do Cedro em Ponte Nova. Padre Chiquinho era uma excelente pessoa, mas muito bravo com a garotada nas aulas de catecismo. Tinha uma birra particular com as mulheres, e fazia as meninas sofrerem durante as aulas. Certa vez aconteceu uma passagem cômica, protagonizada por uma menina de nome Francisca (Chiquita). Natural de Juiz de Fora, sobrinha de um caxeiro-viajante conhecido como Zico Barbosa, parece que ficara órfã, vindo residir com uma parenta em Conceição. Muito viva e inteligente, Chiquita era um pouco rebelde. Certa vez desagradou o Padre Simim na aula de catecismo, e o padre usando a sua costumeira catilinária contra as mulheres, chamou-lhe a atenção diante da garotada. Chiquita, que já andava de saco cheio com a lenga-lenga contra as mulheres, levantou-se do banco, encarou o padre cara a cara e perguntou-lhe: “Padre Francisco, a senhora sua mãe é homem?” Um pouco desconcertado o vigário mudou de assunto.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Historiador - UFOP
Postado por Rodrigo Celi às 11:00
FESTA DO ROSÁRIO (REISADO) EM SENADOR FIRMINO - MINAS GERAIS
Marcadores: conceição do turvo, festa do rosário, MEUS TEXTOS, reisado, senador firmino 11 comentários
Essa festa é uma das mais antigas da história de nosso município, remonta do início do século XVIII, quando os irmãos Antônio e Feliciano tomaram posse destas terras.
Essa festa foi celebrada por aqui com toda a pompa durantes os séculos XVIII e XIX e meados do século XX, quando começou a perder sua força. De 1943 a 1988, a Festa foi celebrada sem a realização do Reisado, era realizada apenas uma novena e no fim da mesma, isto é, no dia de Nossa Senhora do Rosário era celebrada a missa festiva. Em 1988, o pároco Padre Carlos Magno da Silva, a pedido da Irmandade do Rosário de Senador Firmino, resgatou essa festividade nos aspectos folclóricos. A partir de 1995, a Festa voltou a ser celebrada de forma simples, sem os tradicionais REISADO e CONGADO.
Origem da Festa:
Podemos dizer que essa festa começou a ser celebrada entre nós por causa do Velho Chico Rei, que era um homem livre na África e que foi escravizado para trabalhar nas Minas de Ouro em Vila Rica (atual Ouro Preto). Segundo conta a história, no dia de Nossa Senhora do Rosário, por volta de 1700, Chico Rei (que na África era Rei de sua Tribo) vestiu-se de Rei, e tendo sua mulher como Rainha e seu filho como Príncipe, desfilou pelas ruas de Vila Rica. Esse episódio significou a retomada do Reino da África e fez com que nos meses de outubro este gesto fosse repetido por negros nos Distritos e Vilas das Minas Gerais. Isso explica a existência do Reisado ou Reinado na Festa do Rosário
Porém, uma pergunta ainda está sem resposta: Como Nossa Senhora do Rosário entrou na devoção dos negros, em Portugal, na África e no Brasil? Uma lenda contada em todas as irmandades coloca a Senhora do Rosário como sendo a origem do congado. Vamos ver isso com calma.
A irmandade do rosário (dos brancos) fundada na Alemanha em 1409, chegou a Lisboa em 1478. A mais antiga menção a uma “Confraria de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos” encontramos em 14 de julho de 1496, portanto quatro anos antes da chegada dos portugueses ao Brasil. Esta informação consta num alvará dado à dita confraria, sita no mosteiro de São Domingos de Lisboa, "para poderem dar círios e recolher as esmolas nas caravelas que vão à Mina e aos rios da Guiné". Encontramos o importante documento no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa: Confirmações Gerais, L.2 fls.107v.-108.
Em 1526, já havia na ilha de São Tomé a irmandade dos "Homens Pretos". Outras irmandades do Rosário existem no Congo, na Angola e em Moçambique, desde o séc.XVII. Antes de 1552, já existia no Brasil uma irmandade para os escravos da Guiné, segundo Frei Odulfo van der Vat O.F.M. e outros historiadores. Em 1610, o rei do Congo entrou na irmandade do rosário fundada por Frei Lourenço O.P., em Mbanza, capital do Reino do Congo.
Entendemos que as irmandades do rosário surgidas no Brasil, não vieram só da Europa, mas também da África. Provavelmente, houve escravos africanos que já vieram para cá irmãos do Rosário.
A criativa história do aparecimento de Nossa Senhora do Rosário, fundadora das irmandades dos homens pretos, é antiga e pertence ao cristianismo banto. Muitos dizem que Nossa Senhora apareceu no Brasil, poucos dizem que foi na África. Os congadeiros contam que certa vez uma moça foi pegar água no mar e lá viu uma maravilhosa mulher sobre as águas. A mulher tinha um forte brilho no rosto e das pontas de seus dedos saiam raios de luz. Os homens brancos foram até o local com banda de música e a levaram para a Igreja, porém, no dia seguinte ela voltou pro mar. Os negros pediram permissão dos brancos para ir buscá-la, que a princípio não deixaram com medo que os negros estivessem querendo fugir, mas acabaram dando a permissão.
Para buscar a Santa, os mais jovens iam à frente, o que caracterizou o Congo. E quando chegaram ao mar, Nossa Senhora deu um passo na direção deles, que voltaram correndo para apressar os mais velhos que tinham ficado para trás. Aqui entra uma quadrinha:
O Moçambique lá envinha devagá
E atrás dele evinha o Candomblé,
Que são os treis Reis também sagrado
Que ia tirar ela do mar
Os negros resgataram a Santa do mar, e a levaram em um dos tambores, porém os brancos tomaram-na dos negros, levando-a para uma Igreja. Como da outra vez, no dia seguinte ela já tinha voltado para o mar. Desta vez, os negros foram buscá-la, mas construíram uma Igrejinha para ela, de onde ela nunca mais saiu.
Época Áurea da Festa do Rosário em Senador Firmino:
A festa do Rosário era precedida de uma maravilhosa novena em louvor à santa, com toques de sinos, recitação do Rosário, Ladainha, Missa e Pregação. Depois da celebração acontecia um concorrido leilão de prendas no adro da Igreja. As festividades terminavam solenemente com dois dias de Reinado (Reisado), ocasião em que o novo Rei do Rosário recebia a coroa de seu antecessor. Também era feito o hasteamento da Bandeira de Nossa Senhora do Rosário no adro, aos acordes da Banda de Congado, e sob vivas a Nossa Senhora e em seguida as danças próprias da festa do Rosário.
Além da Corte Real e seus figurantes, no reinado tomavam parte vários, penitentes, pagando promessas feitas à Virgem Maria. Os penitentes levavam uma acompanhante portando um guarda-sol. Se solteiros, o acompanhante era sempre o namorado ou a namorada. No último dia de reinado realizava-se a procissão de Nossa Senhora do Rosário, precedida pela Banda de Congados.
Terminada a procissão com a proclamação de um Sermão em louvor a Santa, os reis novos e velhos davam faustosas recepções em suas residências, com banquetes, mesas de doces e bebidas finas para todo o povo com várias apresentações folclóricas.
RODRIGO CELI VEIGA DIAS
Postado por Rodrigo Celi às 14:14
ORIGEM DA FESTA MAIS POPULAR DO BRASIL - O CARNAVAL
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Origem do Carnaval:
Todo mundo pensa que o Carnaval é uma festa típica do Brasil. Mas toda essa farra existe desde a Antiguidade e vem de muito longe.
O Carnaval originário tem início nos cultos agrários da Grécia, de 605 a 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo. O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adota a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizava no Egito. A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais. Depois, a tradição se espalhou por Grécia e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape. É nessa época que sexo e bebidas se fazem presentes na festa. Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características atuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles...
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu caráter “pecaminoso”. No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira, etc.
É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica, que não pode ter data fixa para não coincidir com a Páscoa dos judeus.
O cálculo é um pouco complexo. Determina-se o equinócio da primavera, que ocorre entre os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.
Carnaval no Brasil:
Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia. A comemoração carnavalesca data do início da colonização, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.
Foi, portanto, graças a Portugal que o entrudo desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, em 1641. O termo, derivado do latim introitus significava "entrada", "começo", nome com o qual a Igreja denominava o começo das solenidades da Quaresma. No entanto, as festividades do entrudo já existiam bem antes do Cristianismo, eram comemoradas na mesma época do ano e serviam para celebrar o início da primavera. Com o advento da Era Cristã e a supremacia da Igreja Católica, passou a fazer parte do calendário religioso, indo do Sábado Gordo à Quarta-feira de Cinzas.
Tanto em Portugal, como no Brasil, o Carnaval não se assemelhava de forma alguma aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta, onde se cometia todo tipo de abusos e atrocidades. Era comum os escravos molharem-se uns aos outros, usando ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas divertiam-se em suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados, "num clima de quebra consentida de extrema rigidez da família patriarcal".
Foi esse Carnaval mais ou menos selvagem que desembarcou no Brasil com as primeiras caravelas portuguesas e os primeiros foliões. Com o passar do tempo e devido a insistentes protestos, o entrudo civilizou-se, adquiriu maior graça e leveza; substituindo as substâncias nitidamente grosseiras por outras menos comprometedoras, como as laranjas de cheiro (pequenas esferas de cera cheias de água perfumada) ou como os frascos de borracha ou bisnagas cheias de vinho, vinagre ou groselha. Estas últimas foram as precursoras dos lança-perfumes introduzidos em 1885.
Em 1855 surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, precursores das atuais escolas de samba. No início século XX, no Rio de Janeiro, já havia diversos cordões e blocos, que desfilavam pela cidade durante o Carnaval. A primeira escola de samba foi fundada em 1928 no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro e se chamava Deixa Falar.
No tocante à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século XIX, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pôde notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.
RODRIGO CELI VEIGA DIAS
HISTORIADOR
Postado por Rodrigo Celi às 17:35
Guára - O Perigo Louro do Atlético Mineiro
Marcadores: aimorés, artilheiro, atlético mineiro, campeonato mineiro, conceição do turvo, flamengo, futebol, galo, guará, guaracy januzzi, MEUS TEXTOS, perigo louro, piranga, senador firmino, ubá 4 comentários
Guaracy Januzzi nasceu em Conceição do Turvo (atual Senador Firmino), distrito de Piranga, a 03 de dezembro de 1914. Filho do italiano Miguel Jannuzzi e da espanhola Rosa Gracia Ottero Jannuzzi. Casado com Amélia Januzzi, com quem teve cinco filhos: Vera Januzzi, Luiz Carlos Januzzi, Rosina Januzzi, Déa Januzzi e Kátia Januzzi.
Guará começou sua carreira como jogador no Aimorés, de Ubá. Em 23 de setembro de 1933 se transfere para o Clube Atlético Mineiro. Seu apelido era Guara, sem acento, mas assim quem chegou a Belo Horizonte a imprensa mineira acentuou sem querer o nome daquele que seria um dos quatro maiores artilheiros de todos os tempos: Guará. O apelido Perigo Louro surgiu daquele jovem franzino, cujos passes e dribles mágicos iam invariavelmente parar nas redes. Ele fez 168 gols pelo Clube Atlético Mineiro, marca até hoje só ultrapassada por Reinaldo, Dadá Maravilha e Mário de Castro. Aos 24 anos, Guará já era o jogador mais bem pago do futebol mineiro: 18 contos de luvas e 800 mil réis por mês.
Mas a “fama teve inveja de Guará”, escreve Ary Barroso no prefácio do livro “Cabeçada Fatal”. No dia 04 de julho de 1939, o Atlético Mineiro e o Palestra Itália (atual Cruzeiro) se enfrentavam pela segunda rodada do Campeonato da Cidade. Aos dez minutos de partida o centroavante Guará e o zagueiro Caieira, do Palestra, correram em direção à bola. Os dois saltaram juntos, mas não acertaram a bola. Chocaram cabeça com cabeça. O jogo parou para atendimento médico dos dois jogadores, que caíram atordoados no gramado. Caieira mesmo tonto pelo choque, conseguiu se levantar, mas Guará foi retirado do campo inconsciente. Todos pensavam que Guará tinha sofrido uma ligeira contusão sem maiores conseqüências. Mas não. Ele permaneceu mais de uma hora desmaiado no ambulatório do estádio de onde foi levado para o Pronto Socorro. Seu pai Miguel Januzzi, chorava, mas Guará continuava desmaiado. Seguindo conselho médico foi transferido, no dia seguinte, para o Hospital São José, onde os fãs faziam fila, rezavam. Mais de 700 pessoas faziam plantão na porta do hospital, à espera de um milagre. Queriam o ídolo de volta.
Vítima de traumatismo craniano, Guará nunca mais pôde jogar, apesar das muitas tentativas Ele não era mais o mesmo. Tinha medo de pisar no gramado. Chegou a ser contratado pelo Flamengo em 1941, mas acabou disputando apenas um jogo. Era o fim de uma carreira brilhante, pois a estrela do centroavante Guará se apagou - e ele teve que se afastar, definitivamente, dos campos de futebol.
Tentou de tudo depois daquele trágico acidente. Vendeu tabletes de doce de leite Virgínia, bilhetes de loteria, fez “Livro de Ouro”, lançou “Vida de Glórias e Sacrifícios”, em parceria com o jornalista Antônio Tibúrcio Henriques. Relançou o mesmo livro, na década de 60, com o nome “Cabeçada Fatal”. Foi por muitos anos funcionário da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Em 1962, a Rádio Itatiaia criou o Troféu Guará, para premiar os melhores do futebol mineiro, e também como uma forma de homenagear o grande craque do futebol de Minas.
Guará faleceu em Belo Horizonte a 16 de novembro 1978, deixando para os filhos e a torcida atleticana uma história digna dos contos de fada. Uma herança de respeito pelos adversários, da magia do futebol-arte, de profissionalismo. Esta é uma história de um “astro que parou de brilhar no velho engaste azul do firmamento, mas onde vive e viverá a saudade”, como sentenciou Ary Barroso.
Curiosidade: o pai do jogador Guará, Miguel Januzzi, era sapateiro e proprietário de um salão de bilhar em Conceição do Turvo. A loja exibia um título pomposo: “Salão Batuta, de Miguel Januzzi”.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Postado por Rodrigo Celi às 07:15
Lendas Firminenses: O Cinema do Seu Tunico
Marcadores: cinema, conceição do turvo, doque, lendas, MEUS TEXTOS, saturnino farandula, senador firmino, teatro, tunico 3 comentáriosNaquela noite, a Rua da Vargem (atual Rua Antônio Braz) estava toda iluminada embora Conceição do Turvo não tivesse luz elétrica. É que, o Cinema do Seu Tunico que funcionava na antiga Casa do Teatro do Sô Doque, ali na Rua da Vargem, com seu motor à explosão gerava energia para um cordão de lâmpadas estendido na parte principal daquela rua. Todos iam assistir à fita mais famosa e mais comentada daquela época “A Vida de Saturnino Farandula”. Não há quem tenha nascido na década de 1930 em Conceição do Turvo que não tenha assistido ao grande filme, pois que, ficava ele em cartaz semanas repetidas. Na primeira noite, ao som daquela valsa Tardes de Lindóia, tinha começado o espetáculo. Saturnino Farandula, pequenino ainda, fora atirado ao mar em pequeno cesto. Quando era recolhido pelos macacos, a tela ficou branca. Era o motor do cinema que havia empacado. Vai um e outro tentar desenguiçar a máquina e nada. Desistiram e a fita não continuou. Na noite seguinte, tudo começou bem, mas quando os macacos recolheram Saturnino Farandula, outra vez, no mesmo ponto da fita, o motor tornou a enguiçar e o filme não teve prosseguimento. Isso se repetiu na noite seguinte, até os espectadores ávidos de ver o fim da fita, pediram ao Seu Tunico, que na noite seguinte, começasse o filme onde havia parado, isto é, de quando o Farandula fosse recolhido pelos macacos, porque se o motor enguiçasse, eles já teriam visto outra parte da fita. Assim se fez, mas, por sorte o motor desta vez não enguiçou e depois de haver chegado ao fim da fita, quando Farandula se torna homem, resolveram então passas o princípio da fita e assim fizeram. A seqüência do filme ficou prejudicada porque foi exibido primeiro o fim e depois o princípio. Mas todo mundo ficou satisfeito, exceto uma senhora gorda que não sabia que o filme tinha começado do fim para o princípio, e meio exaltada, saiu dizendo: “Essa coisa de cinema é uma bobagem, onde é que já se viu o tal Farandula ter começado homem e ao invés de ficar velho, começou a ficar moço e depois menino, num cestinho no mar”. Só mesmo no Cinema do Seu Tunico.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho do Patrimônio Cultural de Senador Firmino
Postado por Rodrigo Celi às 17:06
LENDAS FIRMINENSES: PADRE JACYNTHO TROMBERT
Marcadores: conceição do turvo, cônego, jacinto, lendas, MEUS TEXTOS, PADRE JACYNTHO TROMBERT, senador firmino 5 comentáriosA Confissão
Certa noite, estando às horas já bem avançadas, Cônego Jacyntho Trombert fora acordado por um desconhecido pedindo-lhe para ir atender a confissão de um doente. Como de costume o padre se colocou à disposição e na garupa do cavalo daquele homem partiu para cumprir o seu sagrado dever, atravessando uma densa floresta lá para os lados da Fazenda Paraíso, percebeu que estava sozinho no meio da floresta e que aquele desconhecido era o demônio que queria causar-lhe embaraços.
A Possessão
Havia em Alto do Rio Doce uma senhora possessa, chamada Ana. Diversos padres tentaram tirar o demônio do corpo de Dona Ana, e, na voz da senhora o demônio falou que somente o Padre Jacyntho de Conceição do Turvo poderia exorcizá-la. Cônego Jacyntho Trombert lutou verdadeiramente e este exorcismo consumiu-lhe alguns anos de vida. A população da época verificava surpreendida o poder do demônio. Se o Cônego Jacyntho falava em latim, a resposta era dada ao pé da letra, também em latim, pela senhora analfabeta. Certa vez o Cônego Jacyntho apertou o espírito imundo, perguntando-lhe quando sairia do corpo daquela senhora. O demônio respondeu-lhe: "Quando eu sair darei um sinal no sino". E à meia-noite daquele dia o sino, que pesa cerca de 518 kg, deu uma badalada fortíssima, desprendendo-se-lhe um pedaço da borda.
Angu
Houve seca na região e o ano foi denominado "ano da fumaça". A miséria campeava e as roças, naturalmente, quase nada produziram. Certo dia, a empregada da Casa Paroquial, "Teresa Preta", dirigiu-se ao Cônego Jacyntho Trombert, dizendo: "Padre, como fazer? O fubá é pouco e o angu deverá ser amassado para mais de 14 pessoas". E o sábio padre respondeu: "Ponha o fubá na mesma quantidade de água e Nossa Senhora se encarregará do resto". A cozinheira, obedecendo-lhe, verificou surpreendida o milagre: o angu, na consistência comum, deu para todos.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho do Patrimônio Cultural de Senador Firmino
Postado por Rodrigo Celi às 13:20
LENDAS FIRMINENSES: PADRE JACYNTHO TROMBERT (1)
Marcadores: conceição do turvo, cônego, jacinto, MEUS TEXTOS, PADRE JACYNTHO TROMBERT, senador firmino 6 comentáriosConstrução do Santuário
Logo que chegou a Conceição do Turvo, Padre Jacyntho Trombert percebeu a grande necessidade de colocar em ação a construção de um novo Templo. Lançou-se de corpo e alma à nobre tarefa. O incansável sacerdote percorria os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, pedindo auxílio para conseguir inaugurar o grandioso Templo. Muitas vezes foi humilhado quando fazia essas penosas viagens, como certa vez, quando foi tomado como padre falso e explorador, o que lhe valeu a prisão por algumas horas. Numa outra vez quando pedia uma ajuda a um comerciante, recebeu uma resposta desagradável e um escarro no rosto e esta foi sua resposta: "Este é para mim, e o que o Senhor irá dar para a Imaculada Conceição?", e recebeu uma valiosa importância em dinheiro.
Aparição de Nossa Senhora
Certa vez quando ainda percorria os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais a procura de donativos para a construção da Matriz, Padre Jacyntho Trombert foi ameaçado de assalto em uma Fazenda na região de Cataguases, a mando do próprio dono da Fazenda, e quando o ladrão entrou em seu quarto para assassiná-lo e roubá-lo, deparou-se com a intercessão de Nossa Senhora à cabeceira de sua cama. Na mesma hora o homem retirou-se sem executar o mandado e no outro dia foi perdoado pelo Padre.
Cordão da Nossa Senhora
Certa vez desapareceu um cordão de ouro de Nossa Senhora. O Cônego Jacyntho Trombert havia dito que a mão que o tirou deveria secar. Anos foram decorridos, quando houve a 1ª limpeza no Santuário. O cordão de Nossa Senhora foi encontrado junto de uma andorinha que jazia seca em seu ninho.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho do Patrimônio Cultural de Senador Firmino
Postado por Rodrigo Celi às 13:18
LENDAS FIRMINENSES: AS MANGAS DE VICENTE LEANDRO
Marcadores: conceição do turvo, lendas, manga, MEUS TEXTOS, senador firmino, vicente leandro 4 comentáriosO trem partiu. Lá pelas tantas, apareceu o fiscal para picotar as passagens. Ao chegar perto da poltrona de Vicente, o fiscal deparou com o saco de mangas. Dirigindo-se então a Vicente, disse-lhe que não podia viajar com o saco de mangas na classe de passageiros, que o devia ter despachado e que ia lhe cobrar o valor do despacho.
Como o dinheiro que levava consigo era pouco, Vicente encontrou uma desculpa rápida para não ter que pagar o despacho. Disse ao fiscal que havia trazido as mangas para chupar durante a viagem. Surpreso, o fiscal perguntou-lhe: o senhor vai chupar um saco de mangas sozinho? Vicente então lhe respondeu, perguntando: você, por acaso, já me viu chupar mangas?
Diante da pergunta, o fiscal, sem resposta e, após picotar sua passagem, foi embora e esqueceu as mangas.
Rodrigo Celi Veiga Dias
Postado por Rodrigo Celi às 13:15
LENDAS FIRMINENSES: JUBILEU DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
Marcadores: conceição, conceição do turvo, jubileu, lendas, MEUS TEXTOS, nossa senhora, senador firmino 6 comentáriosRodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Senador Firmino
Postado por Rodrigo Celi às 13:12
Lendas Firminenses: Encomendação das Almas
Marcadores: almas, conceição do turvo, encomendação, lendas, MEUS TEXTOS, senador firmino 4 comentáriosRodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho do Patrimônio Cultural de Senador Firmino
Postado por Rodrigo Celi às 17:45
LENDAS FIRMINENSES: ADEUS MARFIZA... ATÉ GASOLINA ACABAR
Marcadores: gasolina, lendas, marfiza, MEUS TEXTOS, motocicleta, senador firmino 3 comentáriosRodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho do Patrimônio Cultural de Senador Firmino
Postado por Rodrigo Celi às 17:42



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