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LENDAS FIRMINENSES: AS MANGAS DE VICENTE LEANDRO

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Certa vez, em viagem à Viçosa para visitar seus parentes, Vicente Leandro resolveu comprar um saco de mangas para presenteá-los, antes de pegar o trem em Ubá. Como o dinheiro era pouco e para economizar, decidiu não despachar as mangas, mas sim levá-las consigo ao lado de sua poltrona no trem.
O trem partiu. Lá pelas tantas, apareceu o fiscal para picotar as passagens. Ao chegar perto da poltrona de Vicente, o fiscal deparou com o saco de mangas. Dirigindo-se então a Vicente, disse-lhe que não podia viajar com o saco de mangas na classe de passageiros, que o devia ter despachado e que ia lhe cobrar o valor do despacho.
Como o dinheiro que levava consigo era pouco, Vicente encontrou uma desculpa rápida para não ter que pagar o despacho. Disse ao fiscal que havia trazido as mangas para chupar durante a viagem. Surpreso, o fiscal perguntou-lhe: o senhor vai chupar um saco de mangas sozinho? Vicente então lhe respondeu, perguntando: você, por acaso, já me viu chupar mangas?
Diante da pergunta, o fiscal, sem resposta e, após picotar sua passagem, foi embora e esqueceu as mangas.

Rodrigo Celi Veiga Dias

Lendas Firminenses: A Idéia de Dona Geralda

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Vicente Leandro, que era cabo eleitoral de um dos candidatos durante uma campanha em Senador Firmino, foi incumbido de fornecer lanches, em sua casa, aos eleitores de fora da cidade que vinham votar. E assim acabou fazendo amizade com muitas pessoas.
Passadas as eleições, um dos eleitores e fervoroso senhor, contente com a hospitalidade recebida no dia da votação, sempre que vinha à cidade, para participar da reza na igreja, deixava o cavalo amarrado na casa de Vicente. Ao terminar a reza ele montava em seu cavalo e retornava para a roça. Entretanto, deixava para traz todos os dejetos malcheirosos do seu cavalo que Dona Geralda, esposa de Vicente, tinha que limpar. Isto aconteceu várias vezes, até ela perder a paciência. Sem jeito de falar com o dono do cavalo, ela precisava encontrar uma forma de espantar o incômodo cavaleiro.
Mais alguns dias se passaram e lá estava o senhor de volta para outra reza. A noite estava fria e ela percebeu que ele trouxera uma capa presa ao arreio no cavalo. Então Dona Geralda teve uma idéia e resolveu colocá-la imediatamente em prática. Ela tinha uma galinha choca cujo ninho estava empesteado de piolhos. Assim que o cavaleiro amarrou o cavalo e saiu para a igreja, ela pegou a capa e colocou-a no ninho. Depois de algum tempo, ela retirou a capa e prendeu-a novamente no arreio. Nunca mais o cavaleiro retornou.

Rodrigo Celi Veiga Dias

Lendas Firminenses: A Banda Desafinada

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Por muitos anos foi maestro da Banda de Música Nossa Senhora da Conceição em Conceição do Turvo, o músico Vicente Leandro da Silva. Porém por divergências políticas acabou deixando a Banda. A regência da Banda foi, então, entregue ao Sr. Braz Fiorillo (Brazinho). Dizem que sob seu comando a Banda ficou desafinada. Em crítica a esta situação, Vicente Leandro escreveu a música abaixo e ensinou as crianças que iam atrás da Banda a cantá-la.

Letra da música

Tô no mato sozinho, sem cachorro,
Tocando a minha clarineta.
Se esta furiosa for tocar no inferno,
Espanta todos os capetas.

Vai o Onofre com o trombone na frente,
Tocando muito metido.
O Melódia com o bumbo abaixa tudo,
Muito atrevido.
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· Furiosa, no texto da música, refere-se à Banda desafinada.
· Brazinho Fiorillo - tocava clarineta.
· Onofre - tocava trombone.
· Joaquim, filho da Sá Germana - tocava bumbo. Foi apelidado de Melódia, por colegas da Banda de Música, porque certa vez usou este termo para se referir à melodia da música.

Rodrigo Celi Veiga Dias
Presidente do Conselho do Patrimônio Cultural de Senador Firmino